Nas últimas semanas os brasileiros, e principalmente os cariocas, se assustaram com a onda de crimes ocorridos na cidade maravilhosa. Com o intuito de desestabilizar as estratégias de pacificação adotadas pelo atual comando das corporações policiais, bandidos de uma determinada facção criminosa, infiltrada em diversas comunidades, cometeram atos, ditos, terroristas contra a população, assaltando, promovendo arrastões e, principalmente, incendiando veículos particulares e ônibus de transporte público.
Entretanto a Secretaria de Segurança do Estado do Rio de Janeiro juntou esforços, fechou parcerias, desenhou novas estratégias e implantou medidas para dificultar a ação dos criminosos. Essas medidas formam a política de segurança adotada pelas autoridades cariocas, que aliada a uma ação operacional brusca e violenta ao “coração” do problema proporcionou às forças policiais um rápido êxito nas ações, prendendo criminosos, neutralizando futuros ataques e apreendendo armas e drogas. Embora a guerra ainda esteja longe do fim, algumas batalhas já foram vencidas e repensar quais foram as principais medidas implantadas e o que elas podem representar neste conflito não deixa de ser um bom exercício. Vamos tentar.
Uma das principais medidas adotadas e que chamou bastante atenção foi a transferência dos presos associados especificamente a esta onda de crimes no Rio para presídios de segurança nacional para assim serem encaminhados a outros estados. Estrategistas negociaram esta medida, encaminhada ao governo nacional, imaginando que a distância dos criminosos de suas facções fizesse com que as futuras lideranças esgotassem seu interesse pelo encarcerado e que com a distância ficassem limitadas as visitas em geral, limitando também o acesso do bandido às informações de sua quadrilha.
Não é difícil imaginarmos que as polícias passaram a entender que a família do criminoso é responsável por boa parte do seu equilíbrio emocional. Pensando assim, outra medida que ataca principalmente os parentes é a medida que prevê como crime de cumplicidade e até mesmo formação de quadrilha, familiares que estivessem vivendo às custas do dinheiro proveniente do crime e, portanto, ilegal. Esposas, pais e mães foram presos em suas residências comprovadamente vivendo com uma renda que não condiz com o patrimônio que ostentam.
As famílias, no entanto, não foram os únicos alvos do contra-ataque das políticas de seguranças. Advogados que comprovadamente colaboravam de forma ilícita com seus clientes trazendo informação, objetos não permitidos, entre outras irregularidades, também foram presos e serão submetidos à investigação e julgamento para os órgãos responsáveis averiguarem se responderão em liberdade, serão privados dela ou se somente serão impedidos de realizarem atividades relacionadas à sua profissão. Vale lembrar que o Brasil ainda permite ao preso o benefício de ser reunir com seu advogado sem a presença de qualquer agente policial.
O que mais tem se tornado visível, por motivos óbvios, é o uso ostensivo dos veículos de comunicação na cobertura dos fatos. E se avaliarmos detalhadamente é possível enxergarmos que também se trata de uma medida política adotada pelos estrategistas da segurança do Estado. A postura correta do policial, associada a transparência das ações realizadas por ele e contra os responsáveis pelos crimes que aterrorizam os diversos cantos da cidade, faz com que a polícia e todos os envolvidos recebam um importante reforço: o apoio da população. São eles, os membros da comunidade local, que enxergam, traduzem e denunciam as atividades ilegais e seus realizadores. Com o apoio incondicional deste importante personagem, o poder de neutralização da polícia se potencializa e muito das pequenas vitórias até o momento se deve a adoção desta medida.
Ainda é cedo para mensurarmos a importância de todas essas medidas interligadas e seus desdobramentos, mas é possível observarmos as pequenas e significantes vitórias. Será ainda preciso realizar uma longa caminhada. Como um primeiro, no entanto, este passo foi bastante relevante, mas é preciso continuar caminhando. Um recuo agora, com boa parte das facções ainda com poder bélico significante, poderia desencadear uma represália de grandes proporções à população carioca. Torcemos apenas para que esta atitude pró-ativa das polícias também seja uma das medidas adotadas.
Daniel Lopes

