Arquivo da categoria ‘Eleições2006’

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"O QUARTO PODER?" – Eleições2006

Outubro 30, 2006

As diferentes faces da mídia sempre foram pautas para longos discursos sociais e acadêmicos. No entanto, mesmo sendo exacerbadamente estudado, o poder midiático ainda é muito recente e sua prática não está apenas relacionada ao domínio de suas funções somado a novas técnicas, como também está diretamente associada à evolução tecnológica. Desta forma, não se faz gênio os que, por hora, tentam rascunhar o tamanho “poder” que está em jogo. Entretanto, mensurar seu universo talvez não seja a questão mais importante. Por exemplo. Tente imaginar quem o controla e como este controle se dá. Três poderes instituem a estrutura sine qua non de uma nação democrática. São eles: o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. Três forças motoras, fracionadas em diferentes atuações, que por intermédio de suas atividades proporcionam o funcionar da grande máquina denominada Estado. Cada um dos três poderes possui uma atuação independente o que sugere autonomia de suas ações, no entanto, esta se faz necessária para que, dentro de suas competências, um possa fiscalizar a prática do outro. Mas quem controla a ação da mídia?

À época em que falar de mídia significava falar apenas de TV e rádio, tal questão talvez não fosse gerar tanto raciocínio. Isto porque o governo detém e controla, através do Ministério das Comunicações, o que pode ou não e deve ou não ser exibido nestes meios, sujeito à punição por perda parcial ou total do direito de utilização de tal espaço. No entanto, hoje o assunto é muito mais complicado. Um extensivo e democrático mercado se apresentou ao mundo na última década. A rede mundial de computadores, internet, passou a fazer parte do dia-a-dia de cada cidadão ao ponto que não ter um correio eletrônico é quase que não possuir uma identidade, mesmo que esta seja virtual. Nos dias atuais, o vulgo e-mail é o principal contato solicitado no que se refere a transações em atividades profissionais ou particulares, justamente por substituir documentos burocráticos e possibilitar uma consulta ao tempo que o usuário desejar. Desta forma a facilidade, velocidade e eficácia da “Word Wide Web” tornaram-na uma das principais “armas” da sociedade, já sendo considerada por alguns como também veículo de massa, outrora, denominação destinada apenas à rádio e TV. Denominação questionável.

Outra polêmica acerca de denominações que se referem ao universo comunicativo também se faz presente. Esta diz respeito à força e importância da mídia de uma forma geral. Algumas vertentes filosóficas consideram e chamam a mídia de “quarto poder”. Clara referência aos outros três poderes supracitados. Tais estudiosos consideram que a mídia também tem atuação independente e fiscalizadora dos demais, além de considera-la também parte da estrutura básica do Estado. Desta forma, tal denominação estaria devidamente fundamentada. Outra vertente, no entanto, vai além. Considera e chama a mídia de “poder moderador”. Esta denominação, que fora imposta anteriormente ao Executivo, pode sugerir uma falsa idéia de que o detentor desta atue como articulador dos demais poderes. Um pensamento pequeno frente ao real significado. A idéia da moderação se refere ao sentido de sobrepor-se aos demais poderes, pressionando-os em busca de soluções para benefícios, ditos, sociais, utilizando para isto, a exposição em massa dos que não se comprometem. Um rascunho da dita prática hierárquica, ou sociedade atual, em que a elite não se submete as normas estipuladas por lei. Outros estudos, porém, apontam a mídia como um “não-poder“, ou simplesmente um veículo empresarial em busca de interesses próprios.

Por fim, alguns conceitos devem ser somados. A mídia age, sim, fora da lei, o que acaba por gerar dois conflitos. A sociedade cria dependência nas atividades da mídia em busca de soluções, que por conseqüência se beneficia desta dependência. No entanto, a atuação da mídia tem grande importância no mundo atual e hoje é a grande responsável pela manutenção dos valores democráticos, tornando visíveis fatos que possam causar prejuízos ao bom funcionamento das instituições que compõe o poder público.

Nota
A série Eleições2006 chega ao fim com Luiz Inácio Lula da Silva eleito, novamente, Presidente da República Federativa do Brasil. Na condição de brasileiro perseverante encerro esta série desejando que o Brasil, que amanhã se inicia, consiga reorganizar suas idéias, estipular prioridades, criar políticas de combate a crimes contra a nação e sua gente e, principalmente, caminhe de cabeça erguida em busca de dias melhores. Parabéns Brasil.

Daniel Lopes

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"OS TRÊS PODERES" – Eleições2006

Outubro 22, 2006

A palavra poder nunca foi tão bem definida. Desde o início de toda a confusão envolvendo governo, bases e oposições, as atenções estiveram sempre direcionadas ao Legislativo e, cada vez mais, ao Executivo. No entanto, estamos esquecendo – ou sendo induzidos a esquecer – a decisiva atuação do poder Judiciário, que se mostra o personagem não principal, mas coadjuvante desta dramaturgia. Como todo bom romance, o atual também se constitui da estrutura básica. Tendo em vista o papel principal ser sempre o “mocinho”, podemos dizer que o povo fica com essa parte. Daí pra “bandido”, só há dúvidas quanto ao líder da quadrilha. Nesse caso devemos refletir e esperar até o último capítulo pra determinar-nos quem fica com este papel, Executivo ou Legislativo, que cá entre nós, se confundem a toda hora. Já o papel coadjuvante também já está determinado. É aquele que muitas vezes está do lado do bem e, de repente, aparece do lado do mal. Aquele que os escritores deixam como “curingas”, ou guardados na manga, para uma eventual surpresa. Definitivamente, um personagem que o “mocinho” nunca pode confiar. Mas sempre confia. Oh, “mocinho” bobo – qualquer semelhança como o povo, não é mera coincidência!

Se existe alguma dúvida de quem exerce esse papel na trama, sugiro uma re-leitura dos capítulos – ou leitura, para os que procuram não assistir essa novela. Com o início do que poderia ser o fim do mistério envolvendo “mocinho” e “bandido”, a CPI, o Judiciário vem tomando decisões que, em sua maioria, parecem dificultar ainda mais a solução do caso, quando o seu papel deveria ser exatamente o contrário (lembra a história do “curinga”?). O coadjuvante aos poucos mostra a sua cara.

Um indivíduo que rouba milhões dos cofres públicos, ou que negocia aquilo que deveria ser o principal veículo de atuação de uma democracia – o voto – ou que vende seus critérios em prol de recursos financeiros, tem direito a manter-se calado? Tem direito a ter seu nome poupado de divulgação frente à opinião publica? Ou deveria pagar pelos crimes que cometeu? Honestamente, avaliando o estranho desenrolar desta novela, temo que a trama não tenha fim, que fiquemos reféns desta programação, a exemplo das séries de TV que roubam nossa atenção e nos enganam com pequenos capítulos independentes, os quais nos satisfazem, mas, no entanto, nos impedem de saber a exata verdade – o verdadeiro fim – o último. Nada contra a TV e sim contra a passividade do verbo “assistir”.

Sendo assim só nos resta concluir que, durante todo esse tempo em que o “mocinho” achou que o coadjuvante estivesse do seu lado, ele estava realmente “atuando” e contribuindo para que essas pessoas permanecessem impunes concedendo-lhes hábeas corpus, direito ao silêncio e impedindo que seus nomes fossem divulgados. O Judiciário se mostra a cada dia mais um membro desse grupo. Uma vez em que vivemos em uma democracia e o bem da democracia é o bem de seu povo, o Poder Judiciário tem o dever, tal qual o Executivo e o Legislativo, de operar em benefício dele, fazendo-se visível aos olhos de todos, os crimes que atingem a integridade da nação e o progresso do país. Outrossim, sendo este o poder que fiscaliza o exato cumprimento do conjunto de normas que constitui uma nação, a lei, sua irresponsabilidade é ainda mais inaceitável.

Daniel Lopes

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"TPE – TENSÃO PRÉ-ELEITORAL" – Eleições2006.

Outubro 2, 2006

Se finda a última e, por excelência, mais conturbada semana para a política antes da “urna”. A semana eleitoral. Claro, ao menos no que se refere ao primeiro turno. Sabe-se que ao tempo que alguns terão sorte, outros terão que passar novamente por todo o transtorno que precede o pleito. Eleições nacionais e estaduais vão caminhando para o “dia D”. Muito “se falou” nessas últimas 72 horas, por conta dos debates que encharcaram de informação os eleitores em potencial, na verdade, muito também se enrolou, se desconversou e, principalmente e definitivamente, se ocultou. Nada de mais brasileiro, não é mesmo?

Em semana de debates na TV, destaque especial para o carioca exibido no último dia 27, pela emissora líder do mercado. Em plano, grandes nomes…do passado: a ex-juiza; o ex-militante; o ex-bispo; o ex-jornalista e o ex…bom, um deles não é “ex” de nada. Talvez porque nunca tenha sido nada, ou tenha sido eternamente candidato a alguma coisa…inclusive a advogado. No comando, o nosso “Christopher Reeve depois do tombo”, que vez por outra se viu na obrigação de utilizar todo o jogo de cintura – que não tem – para fazer valer a máxima de que não é permitida manifestação partidária dos presentes. Resultado: bagunça.

Embora com os contra-tempos supracitados, o debate se mostrou bem interessante, no que se refere a particularidades, a começar pelo líder das pesquisas, candidato Sérgio Cabral, que num estilo quase “robótico”, buscou – sem sucesso – esquivar-se dos “petardos” arremessados por inimigos políticos. Estilo figurinha PSDB, Eduardo Paes demonstrou grande conhecimento teórico, o que pareceu ter feito bom dever de casa, apesar da aplicação dos conceitos gerar alguma polêmica. Denise Frossard, bem ao estilo promotora, deu as mãos ao candidato petista em busca do detrimento a popularidade de Cabral, numa relação de amor e ódio explícitos, embora Vladimir Palmeira tentasse, vez por outra, ocultar o romance. O Candidato do PT, aliás, bem ao estilo “fanfarrão”, foi o dono do show e muitas vezes seu silêncio feria mais que suas palavras. Quem mais sofreu com seu ataque, foi o mediador. Nunca foi fácil segurar um militante político. Segurar, por outro lado, é termo inexistente no dicionário do candidato Marcelo Crivella. Sem qualquer reação física ou variação do tom de voz, Crivella seguiu o debate, como sempre, como se estivesse em uma entrevista. Havia horas que parecia não ouvir a pergunta feita e respondia em forma de discurso pronto. Boa tática. O debate carioca gerou boas risadas, embora o assunto seja de extrema importância.

Um tom a cima do plano estadual e da conduta “esportiva”, dia 29, foi vez do “tão esperado debate dos presidenciáveis”. Willian Bonner, que dispensa comentários, conduziu o confronto. Em foco, duas esquerdas e uma direita, se é que ainda podemos pontuar pólos no Brasil. O Candidato do PDT, Cristóvão Buarque, em sua marcha lenta, esbanjou simpatia e não se desprendeu do lema “revolução pela educação”. Entre homens, uma mulher. Heloísa Helena, grande referência do universo feminino nos últimos anos, fez questão de lembrar a “I-rreeeeeesssssponsabilidade” política dos últimos três mandatos, juntando num mesmo poço petistas e peessedebistas. Por falar em PSDB, é impressionante como o partido “tucano” fabrica homens “em série”. Mais uma figurinha num universo composto de “Cardosos”, “Serras”, Geraldo Alckmin, bem como Eduardo Paes, candidato a governador no Rio, seguem o estereótipo do partido. Alckmin apresentou, também ao estilo do partido, uma linha muito mais voltada ao lado econômico, ao contrário dos outros presentes voltados muito mais ao lado humanitário da campanha. O ex-governador de São Paulo lembrou seus feitos como chefe do estado paulista. Alckmin lembrou, ainda, que o Brasil “p’ssatê” uma boa política econômica e “p’ssatê” consciência de redução dos impostos. Falar em “presentes”, no entanto, faz-nos lembrar de “ausentes”. Talvez a maior decepção do governo “estrelado”. Seu candidato, símbolo de luta e militância, fugiu do combate. O candidato Luis Inácio Lula da Silva faltou ao compromisso que deveria ser divisor de águas em sua campanha. Não há dúvidas que o Brasil acordou mais decepcionado. Agora, o Brasil “p’ssatê” consciência e não faltar com sua “rrrrrrrrreeeeeeessssssssponsabilidade” para alcançar a tão esperada revolução… quem sabe pela “educação”?

Daniel Lopes

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"IMUNIDADE PARA LAMENTAR" – Eleições2006.

Setembro 12, 2006

Como pensar a política nacional?
Existe um dogma militar que diz: a tropa é o espelho do guia. Guarde isto.
O que mais se ouve, quando o assunto é política, pelas ruas é a insatisfação do povo quanto a seus representantes. É preciso lembrar que vivemos em uma Democracia Representativa. Mas o que exatamente significa isto? Significa que o povo brasileiro por uso adequado, concedido e obrigatório de seu sufrágio elege aqueles que julgam ser aptos para o exercício de representar uma cidade, um estado ou nação. Simples, na teoria e apenas nela. Isto porque nada é tão fácil quanto falar mal de política e seus derivados. Ou não? Claro. Como bons brasileiros que somos, sabemos, como ninguém, escalar o melhor time, melhor esquema tático e, se quiser ir mais longe, armar as melhores jogadas. É, a política perde para o futebol. Somos os melhores técnicos, não somos? Porque, então, não escalamos os melhores “jogadores” na política? Ou será que escalamos? A tropa é o espelho do guia?

Como no futebol, a “grande jogada” é criticar sempre. Falar mal e adquirir apoio de todos, nos torna mais “intelectuais” na roda de amigos. Exaltar, quando a “grande jogada” é rebaixar, torna-se uma ação perigosa, tal qual, com a bola, cruzar a área de seu campo de defesa. Nenhum zagueiro quer passar por essa experiência. Para cada “suicida”, existe pelo menos um “pelotão” de fuzilamento pronto para abatê-lo e a não sustentação de um álibi é vergonha na certa. Na dúvida, critique. A tropa é o espelho do guia?

Esta semana esteve no – diga-se de passagem: excelente – Programa Canal Livre, da Band, o Presidente do Tribunal Superior e Eleitoral e membro do Supremo Tribunal Federal, Ministro Marco Aurélio Mello, onde foram abordados temas referentes á eleições. Determinada hora, um dos grandes nomes do jornalismo presente, que tem como cartas do baralho Fernando Mitre, Joelmir Beting, entre outros, disse que a população deveria eleger a polpa como governantes. Mas por que não são? Vai ver são. Tal questionamento virou coro na voz dos presentes e talvez seja isso mesmo. Vai ver são. A tropa é o espelho do guia?

Mas, enfim, vamos abordar o título e tratar de falar mal do “time”, claro, afinal, ninguém é de ferro, não é?

É realmente muito difícil entender como funcionam as engrenagens brasilienses. Pense em um crime qualquer. Roubo. O próprio jargão popular chama de “ladrão de galinhas” o sujeito “sem expressão” que cometeu um crime “sem expressão”. Isto porque qualquer cidadão comum sabe que até os crimes possuem seu grau hierárquico e caso não existisse, obviamente, todas as penas teriam a mesma punição. O que não tem nenhum sentido. Logo, não seria difícil imaginar que quanto maior a importância e o ônus do crime cometido, maior seria sua punição. Pense agora na maior autoridade nacional. Esquece o Presidente da República, não é ele. É, segundo sua simbologia, a Bandeira Nacional, o próprio Estado-Nação. Por acaso quem rouba os cofres públicos não está roubando a União? Alguém pode me dizer, então, por que o Deputado “ladrão” recebe como punição a destituição de seu cargo em vez de prisão? Ou não deveria ele receber a pena máxima prevista pela Constituição, por subtrair, indevidamente, valores da autoridade suprema e prejudicando, conseqüentemente, um sem-número de inocentes em benefício próprio ou de cúmplices? Não, claro que não! Ele tem imunidade! Imagina como vai ficar a imagem do Brasil encarcerando CORRETAMENTE aqueles que outrora representavam o povo. Ora, se o roubar é prática constante em Brasília e Brasília é a exata representação de todo o Brasil, logo o BRASIL TODO É LADRÃO! Ah, não! É melhor deixar eles roubarem mesmo. A tropa é o espelho do guia?

Reparou que falar mal de política rende mais linhas? É realmente muito mais fácil.

Definitivamente, pensar em política é pensar em tropa, espelho e tudo mais. Mas não é sempre assim. Você com certeza não tem três meses de férias, dois dias úteis livres na semana ou dinheiro extra pra pagar seus funcionários. Assim como também não tem carro com motorista, pagos por outros e, principalmente, décimo quarto e décimo quinto salários – esse é realmente muito difícil entender porque. Somos, claro, os verdadeiros culpados. Não só porque os elegemos, mas também porque roubamos, mentimos e nos escondemos. Somos culpados porque queremos sempre tirar proveitos. Somos culpados porque queremos sempre tomar o lugar de alguém. Somos culpados porque somos exatamente iguais a eles. Porque somos eles! A tropa é o espelho do guia.

Daniel Lopes